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vila de cano - canoonline - João Mot@



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Quinta-feira, 27.09.12

1º RAID AÉREO ÀS COLÓNIAS PORTUGUESAS (1928

 

 

             Com a chegada dos primeiros aviões a Portugal (1912) e a criação da Aviação Militar, surgiram os pioneiros dos “Raids” de longa distância.

            Depois de Sacadura Cabral (piloto) e Gago Coutinho (navegador) terem realizado a primeira viagem aérea entre a Europa e a América do Sul (1922), em 62 horas e 26 minutos e percorrido a distância de 8.383 km, 6 anos mais tarde (1928), um outro feito ficou registado na história da aviação portuguesa e na de um filho de Abrantes                                               

            Foi no dia 5 de Setembro de 1928, que o jovem abrantino Capitão Celestino Pais de Ramos, então com 33 anos, descolou da Amadora no seu avião “Vicker motor Napier de 450 cv” com destino aquela que ficaria para a história como a primeira viagem aérea efectuada às colónias portuguesas da Guiné, S. Tomé, Angola e Moçambique.

            Piloto hábil e experimentado, seguindo a escola dos grandes navegadores, Pais Ramos (piloto e comandante da expedição), Oliveira Viegas (piloto), João Maria Esteves (navegador) e Manuel António (observador e mecânico), após 51 dias com escala em mais de 30 localidades, 101 horas de voo e terem percorrido mais de 15.000 km, chegam com os aviões bilugares “Vickers Valparaíso I” nºs 1 e 2 ao território de Moçambique (Zumbo), no dia 16 de Outubro de 1928. Depois de terem passado por Tete, Beira e Quelimane, regressam novamente à Beira com destino a Lourenço Marques onde chegam no dia 26 de Outubro de 1928.

            Com esta viagem experimental, rudimentares meios de navegação, avarias do motor, condições climatéricas adversas e acentuado desgaste físico (voava-se com a cabeça exposta ao vento e à chuva, em aviões de “pau e pano”…), Celestino Pais Ramos e a sua equipa demonstraram numa acção gloriosa ser possível fazer por avião, após várias escalas de reabastecimento, a ligação aos mais recônditos lugares do Mundo. Com esta assombrosa viagem aérea ao continente africano foi reposto o progresso aeronáutico que já existia noutras nações.

             Depois de um merecido descanso e muitas honras prestadas aos heróis da maior aventura aérea até então efectuada, o Capitão Celestino Pais Ramos o Tenente João Esteves e o 1º Sargento Manuel António regressam à Metrópole no navio “Niassa” e desembarcam em Lisboa, no dia 15 de Dezembro de 1928. No dia 4 de Janeiro de 1929, a bordo paquete alemão “Usubara”, chega a Lisboa o Capitão Viegas.

            O “Raid Lisboa/Moçambique” não teve o intuito de competir com as viagens até então realizadas (Travessia Aérea do Atlântico Sul, por Sacadura Cabral e Gago Coutinho e a viagem Portugal Macau, por Sarmento de Beires e Brito Pais). Pais de Ramos, entrevistado pelo Jornal de Noticias (5 de Setembro de 1928), momentos antes de começar a sua maior aventura, declarou que a viagem apenas fora motivada: 1) pela vontade dos aviadores portugueses ligarem por via aérea as colónias ultramarinas 2) pelas vantagens politicas, comerciais e militares 3) pela vantagem particular que a aeronáutica portuguesa teria no treino de viagens de longo curso (a) .

            Quando realizou o “raid aéreo” Amadora/Moçambique, Pais de Ramos já demonstrara ser um hábil e destemido piloto. Do seu currículo constava as viagens: Lisboa/Madrid em 1923 e 1925 e Lisboa/Casablanca/Lisboa em 1926, esta última com Jorge de Castilho, de cariz científico.

            Dado a aventuras, como que a adivinhar a maior proeza da sua vida que adviria dois anos mais tarde (1928), em 1926, Pais Ramos, então com de 31 anos, assombrou a Vila do Cano, terra da sua progenitora fazendo uma audaciosa aterragem no Largo do Rossio. Presenciado e festejado por toda a população foi o acontecimento registado.

 

 

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 1926 – Largo do Rossio, na Vila de Cano, a foto foi cedida ao canoonline pelo saudoso António Rovisco.

            Oitenta e dois anos após o Major Aviador Celestino Pais Ramos e a sua equipa ter efectuado o “raid aéreo” Amadora/Guiné/S. Tomé/Moçambique, o “Jornal de Alferrarede” recorda esta extraordinária aventura.

            Ligados à “Expansão Ultramarina” (séculos XV/XVI), Abrantes tem muitos e ilustres filhos na sua galeria. Com a “Expansão Aérea” (1922/1928), à imensa galeria de filhos ilustres foi colocado o nome de Celestino Pais de Ramos. Do registo paroquial da Freguesia de S. Vicente, no livro de baptismos, sob o número 86, folha 47 e verso consta: Celestino, nascido na Rua Marquez de Pombal, freguesia de S. Vicente de Abrantes no dia 21do mês de Junho de 1895.Foi baptizado nesta mesma freguesia, no dia 19 de Outubro de 1895, como filho legitimo de José Luís Ramos, major reformado, natural da freguesia do Sardoal e de D. Joana Lúcia Vilela Ramos, natural da freguesia do Cano, concelho de Sousel.

            Trinta anos depois (5 se Setembro de 1958) o Coronel Viegas diria do seu companheiro de equipa: Lembro-lhe que Paes de Ramos pilotou desde a Guiné a Luanda ardendo em febre e pondo como preocupação número um, a despeito do seu estado de saúde, manter a regularidade da viagem porque considerava a responsabilidade que a todos cabia […]

            Do curriculum de Pais de Ramos constam as condecorações: Ordem Militar da Torre de Espada, Medalha da Vitória da Campanha do Exército Português em França, 1ª Classe de Mérito de Espanha, concedida por D. Afonso XIII, Medalha de Ouro de Bons Serviços de Prata de Comportamento Exemplar e Cruz de Bronze da Cruz Vermelha. Era Oficial das Ordens de Avis e de Cristo.

            Prematuramente, aos 45 anos de idade em 1940, o então Major Celestino Pais de Ramos  faleceu no Hospital da Ordem Terceira de S. Francisco (a Jesus).

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