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vila de cano - canoonline - João Mot@



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Domingo, 29.07.12

JÁ TENHO LICENCIATURA

JÁ TENHO LICENCIATURA

Já tenho licenciatura
Agora sou um doutor,
Tenho montes de cultura
Vou ser Ministro… se fôr…

Inscrevi-me ao fim do dia
Naquela universidade
Dos diplomas de inverdade
P’ra testar o que sabia;
Já de manhã, mal se via,
De maneira prematura
Eu fiz muito má figura
Mas mesmo sem saber nada
Formei-me na Tabuada
Já tenho licenciatura!

Dei cem erros no ditado
E agora o mais curioso:
Por estar muito nervoso
Á recta chamei quadrado!
Quando me foi perguntado
Se conhecia o Reitor
Respondi que não senhor
Embora fosse meu tio…
Disse mentiras a fio
Agora sou um doutor!

Com mesquinhez e com tudo
Puxei das equivalências
Juntei outras mil valências
Deram-me mais um canudo;
Com diplomas e com tudo
Era fácil a leitura:
Deixei de ser um pendura
Sou político afamado
Sou falado em todo o lado
Tenho montes de cultura

Já sou Mestre em Corrupção
A todos sei enganar
Habituei-me a roubar
Tirei curso de ladrão;
E agora, queiram ou não,
Mesmo sem nenhum valor
Eu falo que é um primor
Na Assembleia sentado
Para já sou deputado,
Vou ser Ministro… se fôr…

 

AUTOR: FERNANDO MÁXIMO /  Avis   (natural de Rabaça - S. JULIÃO...)

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por @Mota@ às 18:12

Domingo, 29.07.12

A Fundação, Um livro para ler nas suas férias de Verão.

 

 

1º romance de João Richau a ser editado (Chiado Editora).

A ação passa-se em grande parte na Vila do Cano, há 500 anos e na atualidade.

Romance com cerca de 500 páginas, em que metade da ação decorre no início do Séc. XVI e a restante na atualidade.

Como o livro ainda deve demorar a chegar às livrarias existem alguns exemplares disponíveis para os interessados, na Travessa dos Ferreiros, nº 8, CANO.

 

Preço; 18 euros.

 

Para quem não tenha recursos e queira ler o livro, existe um na biblioteca da Junta de Freguesia do Cano e brevemente estará também disponível nas bibliotecas da Escola do 1º Ciclo do Cano, na Biblioteca da Escola Padre Joaquim Maria Fernandes, em Sousel e na Biblioteca Municipal Doutor António Garção, em Sousel.

 

 
 
Excerto do cap. III «Percorreram o perímetro da propriedade até se aproximarem de uma construção rasteira destinada ao gado. O cheiro era inconfundível logo a mais de cem passos. Porcos! - Não acredito que um marrano tenha vindo escolher um...a pocilga para dissimular o seu local de culto! Bem sei que lhes chamamos porcos, mas… - E quem nos diz que foi o marrano? Uma quantidade de ouro daquelas era entregue às mãos de um marrano? Não acredito! Para mim, foram aqueles que temos presos que trataram de lhes dar sumiço! - Recuso-me a aproximar-me mais deste local de podridão. Mandai os guardas fazer as buscas! - Podeis afastar-vos. Prosseguirei as buscas eu próprio, auxiliado por dois guardas. Durante mais de uma hora o Juiz circundou aqueles miseráveis aposentos, que já não eram limpos há três dias, de olhos bem abertos. A sua agonia era crescente. Nem ele nem os guardas deram por qualquer objeto suspeito que merecesse ulterior atenção. Um dos cavalos, todo negro, estava bastante nervoso e agressivo, mas o Juiz achou-o magnífico. Tentou aproximar-se do animal, mas não conseguiu sequer fazer-lhe uma festa no pescoço. O animal andou para pular a cerca , furioso, ao ponto do Juiz se afastar sem demora. O juiz, liberto daquela última missão espinhosa, olhou em redor. Nada mais viu do que terra, árvores, cultivos diversos e um muro de pedra em redor daquele enorme campo. Até que um dos guardas se atreveu a chamar a atenção do Juiz para uma pequena construção que se encontrava perto do edifício principal. Era uma velha nora, com um conjunto de alcatruzes ferrugentos e que penetravam num poço profundo. O Juiz imaginou imediatamente as barras de ouro no fundo escuro e imperscrutável do poço. Ignorou o guarda e assumiu a ideia como sua. - Limitaram-se a atirar as barras para o poço… - Pode muito bem ter sido. Mas como verificá-lo? O Juiz deu ordens a um criado que lhes arranjasse uma corda que pudesse chegar ao fundo poço. O criado dirigiu-se a uma pequena arrecadação e voltou com um enorme rolo de corda ao ombro. Aquela corda ainda lhe cheirava a sal. Mas era a única capaz de satisfazer o pedido daquele senhor importante. O Juiz olhou para os guardas, escolheu o mais pequeno, mandou-o tirar as roupas até ficar em ceroulas, com os restantes colegas a circundá-lo. A seguir, mandou que lhe atassem a corda à barriga e aos ombros, de forma a que os nós se não desatassem. Meteram-lhe uma vara na mão e desceram-no a força de braços por entre os intervalos dos alcatruzes. O homem sentia que o estavam a descer ao inferno, embora sempre lhe tivessem dito que o inferno tem muitas e quentes chamas. Para além da vergonha de ter ficado em trajes menores, ainda o obrigavam a servir de sonda num poço daqueles, de que mal se avistava o fundo. O nível da água deveria estar pelo menos a umas três braças. Quando chegou próximo da água, transido de medo da escuridão, da humidade, do frio intenso e do ranger de protesto dos alcatruzes, o homem olhou para cima. O pânico aumentou. Mal ouvia as vozes vindas de cima. Dos que se encontravam confortáveis à superfície. Nunca se arrependera tanto de ser pequeno. Afundou a vara na água até mais não poder. Nem sinais de fundo de poço ou de qualquer objeto. Gritou para cima que não se conseguia chegar ao fundo. O juiz, bem firme na nora, debruçou-se e esperou que os olhos se habituassem à penumbra. Avaliou a situação e imaginou que ainda se podia tentar ir mais além. Mandou descer o homem mais meia braça. O desgraçado estava agora com a água quase a chegar-lhe ao pescoço. Em pânico crescente, começou a esbracejar. Não sabia sequer nadar. Quando os pés contactaram com os frios e cortantes alcatruzes submersos, pensou que um monstro da escuridão o iria devorar e desatou aos gritos. O Juiz teve que mandar dar vários puxões na corda  e gritar para o acalmar. Com muito esforço e desconforto, o homem voltou a afundar a vara na água até mais não ser possível. Nada. Gritou com quanta força tinha que o içassem. O Juiz viu-se forçado, à falta de melhor, a mandar os criados aparelhar um cavalo à nora para reduzir o nível da água. Ao fim de uma hora de esforço inglório foi espreitar e a água mantinha o nível. Pensou que seria melhor esperar por melhores dias. Se o verão fosse seco podia ser que aquela nora secasse ou, pelo menos, baixasse bastante o nível. Mandou chamar o criado mais velho. O homem com quase 70 anos afirmou orgulhoso que nunca vira o poço secar em tempo algum e que nem sequer alguma vez aquele poço, que tinha mais de duzentos anos, tinha descido daquele nível. Já o seu falecido avô lho dissera. E o se avô era homem honrado, muito respeitado por todos. O juiz, perante tal convicção desistiu da ideia. Nunca poderia resolver um caso daqueles, mas os criminosos também não poderiam recuperar as barras. Ficavam quites. Mas não. Os criminosos não eram assim tão estúpidos ao ponto de destruírem um tesouro daqueles. O esconderijo teria que ser outro. Aproveitou para passar uma reprimenda ao guarda que tivera tal abstrusa ideia e olhou para o Céu, como que a pedir uma intervenção divina. Então, no meio do desespero de se imaginar a mandar escavar todos aqueles imensos campos, surgiu-lhe uma ideia.»
 
Mais um»»»»
 
«- D. Fernando, pensamos saber que precisais de mão de obra para cortar e carregar madeira… - Nem por isso! Disponho de 40 homens para o efeito… - Isso seria se a nau pudesse ficar completamente desguarnecida… Decerto, não pensai...s… - Onde pretendeis chegar? Vamos direitos ao assunto que tenho mais que fazer! - Estamos dispostos a interceder por vós junto dos nativos… - Os nativos? Que remédio têm eles senão ajudar-nos! - D. Fernando, não vos aconselho a usar da violência. Isso pode revelar-se desastroso… Eles mantém relações de proximidade com muitas tribos aparentadas da região… Imagine se entram em pé de guerra… - E o que propõem vocês? Coisa boa não deve ser… - Propomos que negocieis com eles. - Negociar com gente incivilizada? Isso é uma humilhação… - Fazei como entenderdes melhor… Se mudardes de opinião podeis procurar-nos… - Esperai! Posso, ao menos, saber qual é a vossa proposta? - Precisamos de transporte para Portugal… D. Januário deixou-nos ficar em terra… - Segundo julgo saber, ficastes por vossa conta e risco… Aliás, imagino que tenha sido por um bom motivo… - Nem por isso… Mas podemos falar depois sobre o assunto… Portanto, precisamos de transporte para Portugal e estamos dispostos a pagá-lo! - E como pretendeis pagar? A viagem não será barata! Só o vosso trabalho é manifestamente pouco… Onde preciso de mais trabalho é no corte, transporte e carregamento da madeira… Com o vosso porte pouco podeis ajudar… Foi quando o alemão que assistia à conversa, parecendo desinteressado, interveio. - Mas inteligentzia superriorr a todosz vozos hombrresz! D. Fernando pareceu contrariado por aquela intervenção. Mas o alemão era intocável. Se o patrão sequer suspeitasse de qualquer desconsideração para com O Rico era o fim. E tocar no alemão era o mesmo que ofender gravemente Jacob Fugger. D. Fernando engoliu em seco. - Dizei qual é a vossa proposta a troco do transporte! - Exigimos viajar dispensados de qualquer trabalho e em agasalho próprio. - Estais a pedir de mais! Não posso garantir-vos tal exigência! - É pegar ou largar! - E o que pretendeis oferecer em troca? Ainda não percebi! - Um carregamento de 200 toneis de madeira de pau brasil! - E como o conseguis? Os gémeos fizeram sinal a um dos nativos da sua confiança que se encostava a uma árvore próxima de forma indolente, o qual se lançou a correr, aparecendo ao fim de alguns minutos com uma carroça carregada de toda a espécie de bugigangas. - Pretendeis troçar de mim? Que brincadeira de mau gosto é esta? - D. Fernando, oferecei esta mercadoria ao chefe Acauã e vereis a resposta!  
 
 
São estas palavras que nos fazem continuar!!!, obrigado amigo » João Richau
 

 

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por @Mota@ às 14:53


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